Estado e Ministério do Desenvolvimento Agrário vão ter grupo de trabalho para qualificar setor leiteiro


A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) vão criar um grupo de trabalho para discutir alternativas de curto, médio e longo prazo para fortificar e qualificar ainda mais a cadeia leiteira do Estado, particularmente a vinculada à agricultura familiar. A decisão foi tomada na manhã desta terça-feira (03) durante reunião na Seab.

“O ambiente rural do Estado está esperando isso de nós, e tem de ser urgente, o governo está disposto”, afirmou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza. “Diante das dificuldades que o setor vive, se nada for feito vamos perder mais produtores, e a tendência é que as pessoas não fiquem mais no meio rural”.

Ele acentuou a crença de que é preciso continuar o processo de transformação do leite e agregação de valor ao produto. “Podemos ter os melhores produtores de leite e de queijo do País”, ressaltou. “Mas os custos de produção estão em alta e a renda tem diminuído, é preciso ajudar o produtor e rever o sistema de produção”.

TRIBUTAÇÃO – Também presente à reunião, o secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara, destacou que desde a acentuação da crise no setor leiteiro, particularmente em razão das importações, o Estado tomou algumas medidas como a implantação de tributação de 7% na chegada do produto no Paraná e a aprovação de legislação que possibilita elevar a alíquota a 19,5% a partir de 2025.

No entanto, outra das preocupações para que o produtor se mantenha na atividade é a busca de redução no custo de produção. “Precisamos fazer alguma coisa, encontrar o caminho para baixar esse custo”, disse. Ortigara reforçou que esse é um trabalho que precisa ser feito de forma integrada entre os Estados do Sul, que são responsáveis por produzir 40% do leite brasileiro, mas que consomem apenas 15%.

VARIÁVEIS – “A minha vinda aqui tem a ver com a tentativa de estabelecer uma parceria com o Estado e aí é importante ter essa ideia da Aliança Láctea, que pega os três estados e podemos estender”, disse o secretário de Agricultura Familiar do MDA, Vanderlei Ziger.

Ele ponderou a necessidade de estudar a questão não apenas sob a ótica do aumento da importação de leite em pó de países do Mercosul. “A crise do leite não está em um fator só, então entender essas variáveis é extremamente necessário, precisamos ter um conhecimento mais aprofundado delas”, acentuou.

Entre elas o estudo das razões que provocaram decréscimo de produtores desde meados da década passada e a concentração de indústrias, que obriga os produtores a percorrer cada vez mais quilômetros para entregar o produto. No Paraná mais de 80% dos produtores de leite são agricultores familiares.

Além disso, propôs análise de alternativas que possibilitem manter o custo de produção em patamar aceitável, capitalizar o produtor, fortalecer a assistência técnica e promover discussão sobre o modelo de produção mais viável. “Precisamos fazer alguma coisa para salvar o produtor”, afirmou.

PRESENÇA – Também participaram da reunião a superintendente do MDA no Paraná, Leila Klenk, o diretor técnico da Seab, Benno Doetzer, o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido, a chefe de Gabinete da Seab, Vera da Rocha Zardo, o oficial de projetos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Valter Bianchini, e o gerente de Cadeias Produtivas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná- Iapar-Emater (Paraná), Hernani Alves da Silva.

Fonte: SEAB Paraná

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